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Generalidades com Especificidade

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quarta-feira, 19 de dezembro de 2018

Guaiba - Outros Tempos

Guaiba, cidade situada à pouco mais de 25 km. da capital Gaúcha, Porto Alegre, na margem direita do lago de mesmo nome, já foi em outros tempos um lugar bucólico e aprazível, procurado nos fins de semana por ávidos veranistas em busca de suas areias brancas e de suas praias bonitas e refrescantes. Hoje incorporada à região metropolitana, é só mais um amontoado de construções, áreas residenciais e vilas, sucumbindo às mesmas mazelas de todos os centros urbanos de qualquer lugar. Crimes, drogas, roubos, tráfico e toda série de incertezas dos tempos "modernos". Ficam na memória os tempos poéticos, e nos  registros fotográficos daqueles que veem a beleza e a possibilidade de perde-la. A seguir alguns desses registros de outras épocas.



Centro da cidade, beira do lago - A praça bem cuidada com seus bancos de concreto, oferecidos à comunidade pelos comerciantes locais. Ao fundo oa antigo prédio de madeira, que foi restaurante, sede de secretarias públicas e diversas outras atividadese ao lado a casa de bombas da Corsan. Anos 50/60.


Praia da Alegria - Um já velho trapiche de madeira, que nos tempos áureos das praias da cidade, era local de desemnbarque dos turistas que atravessavam o lago a bordo do barcos movidos a vapor. Hoje em dia o bairro está atirado às traças, com habitações irregulares, invasões de áreas da margem e outras complicações oriundas da má gestão e pelo abandono da máquina pública. A ampliação de industria de celulose que prometia enormes benesses ao local, só trouxe mais abandono e esquecimento. Anos 70.


Rua Santa Catarina - O parque 35 foi uma das primeiras urbanizações depois da cidade velha, um bem planejado loteamento na época mas, que custou a ter pavimentação e sistemas de esgoto adequado. Foi preciso conviver com esgoto a céu aberto e ruas poeirentas até os anos noventa, quando sofreu melhorias, devido às novas residencias que foram sendo construídas e a necessidade por melhores serviços públicos. Anos 40.


Posto Shell - Na entrada da cidade, uma pequena encruzilhada a qual chamavam de "trevo", hoje dá lugar a um moderno viaduto e uma bem planejada e construída rótula, tendo livrado a cidade de frequentes acidentes, terríveis e fatais que ceifaram muitas vidas no passado. O posto "Shell" alí instalado dava nome ao lugar que até hoje é assim conhecido. Na verdade o bairro é chamado de Vila Nossa Senhora de Fátima. Anos 70.



Chama Crioula - Na beira do lago, uma churrascaria e pizzaria, local de grande movimentação em tempos de boa vizinhança e respeito. O local foi todo demolido e dá hoje lugar ao estacionamento de um supermercado. Anos 90


Barco Flutuante - Nos anos noventa um empresário da cidade resolveu colocar um bar em uma balsa, não obteve sucesso e o bar foi fechado em seguida. Também não oferecia as condições de segurança necessárias nem sanitárias adequadas para o tipo de negócio.

Barcas - Uma segunda tentativa de manter uma linha regular de transporte fluvial entre Guaiba e Porto Alegre, resultou fracassada no início dos anos oitenta. Embarcações adaptadas de forma inadequada, não oferteciam as condições mínimas exigidas para a operação. A travessia era mais divertida que hoje em dia, visto que podia-se andar por todos os lugares das embarcações sem medo de ser feliz, mesmo com os riscos que a tarefa oferecia.



Nossa Senhora do Livramento - A matriz da cidade, pouco mudou nos últimos anos mas, permanece bem cuidada. A não ser pela praça, descuidada por muitos anos, com calçadas estragadas e mato por todos os lados. Vez por outra recebe uma caiação provisória da prefeitura em alguma data significativa. Anos 60.


quinta-feira, 13 de dezembro de 2018

quinta-feira, 12 de julho de 2018

David Bowie - Outside - 1995



Quando morou na Alemanha entre 1976 a 1979, David Bowie produziu álbuns experimentais e revolucionários que ficaram conhecidos como “A trilogia de Berlim”:  “Low (1977), “Heroes” (1977) e “Lodger” (1979), todos com a colaboração do músico e produtor Brian Eno, mago da estética eletrônica que começava a vicejar com força, primeiramente na Alemanha a partir de Berlim e, em seguida se alastrando pelo mundo todo. Cabe salientar que a  exatidão do apelido de "Trilogia de Berlim" é debatido, pois apenas "Heroes" foi totalmente gravado em Berlim, nenhuma das faixas de Lodger foram sequer gravadas na Alemanha (apenas na Suíça e em Nova Iorque), mesmo assim, o termo foi utilizado de forma recorrente pelo próprio Bowie para descrever os álbuns. Temas profundamente enraizados no período de vida que Bowie vivia, como o uso rotineiro de drogas permeiam o primeiro álbum, o segundo e terceiro são mais leves mas, trazem as mesmas questões filosóficas existenciais que acompanharam o artista até o fim da vida. Instrumentais impecáveis e que apontam para diversas direções nortearam boa parte da música mundial a partir de então. Mesmo que esses trabalhos não sejam a produção mais popular de David Bowie, como elas viria a se tornar a partir dos anos oitenta, Bowie atravessou a década posterior com estrondoso sucesso em maravilhosas e longas tours, apontando sempre novos caminhos e descobrindo novos artistas para o mundo, como o caso do guitarrista Steve Ray Vaughan, que ganhou as rádios e TVs na música “Let’s Dance” do álbum homônimo de 1983, do qual participou, depois que Bowie o conheceu no festival de Montreaux algum tempo antes.
Seis álbuns depois da célebre trilogia, Bowie retornou ao tema. Após encontrar o amigo Brian Eno em uma festa de casamento, tiveram a idéia de voltar a produzir juntos, na mesma direção do que haviam feito em Berlim. Com o subtítulo "The Nathan Adler Diaries: A Hyper-cycle", “Outside” se centra nos personagens de um mundo distópico às vésperas do século XXI.  Bowie e Eno visitaram o hospital psiquiátrico Gugging, próximo a Viena, na Áustria, no início de 1994 e entrevistaram e fotografaram  pacientes artistas. Bowie e Eno levaram um pouco dessa arte consigo para o estúdio, enquanto trabalhavam juntos em março de 1994, criando uma peça sonora de três horas que era majoritariamente composta por diálogos, depois esse material foi editado e produzido de forma a ser contido em um álbum com tempo viável para comercialização.
O álbum “Outside” faz parte do material menos conhecido de David Bowie, se manteve assim durante todo esse tempo, como vendagens fracas e relegado ao escaninho mais obscuro do artista mas, tem especial apreço dos verdadeiros admiradores de sua música e é da mesma forma cultuado como os da trilogia dos anos setenta. A música de Bowie não é material de fácil absorção e, por apontar para universos diversos não faz parte do culto comum ao mundo do rock and roll, está acima de qualquer clichê destes que vem se repetindo desde os anos cinqüenta, baseados no blues e demais segmentos da música negra Americana. Bowie construiu sua própria música, uma colcha de retalhos que absorveu experiências de todas as vertentes, desaguando em um mar infindo de possibilidades que somente ele sobe dar forma. Mesmo que em alguns casos essa forma seja difícil de reconhecer. Com “Outside” Bowie pretendia como disse em uma entrevista, dar uma vida longa a esse trabalho, observando que o álbum foi feito como um reflexo da ansiedade dos cinco últimos anos do milênio: (1995 a 2000)
“No geral, o objetivo a longo-prazo é o de fazer uma série de álbuns que vão até 1999 - e tentar capturar, usando esse artifício, como se sentem os últimos cinco anos do milênio. É um diário dentro de outro. A narrativa e as estórias não são o conteúdo - o conteúdo é o espaço entre os pedaços lineares. As texturas enjoadas e estranhas... Ah, eu tenho as esperanças mais amáveis para o fim de século. Eu o vejo como um rito de sacrifício simbólico. Eu o vejo como um desvio, um desejo pagão de satisfazer os deuses, para que possamos seguir em frente. Há uma verdadeira fome espiritual lá fora sendo preenchida por essas mutações do que mal é lembrado como rito e ritual. Tomar o lugar deixado por uma igreja não-autoritária. Temos esse botão de pânico nos falando que haverá uma loucura colossal no fim deste século”
Bowie não levou a cabo suas idéias, mesmo assim produziu mais seis grandes trabalhos até o dia de sua morte em 10 de janeiro de 2016, em Nova Yorque.


quinta-feira, 5 de julho de 2018

Bebeco Garcia - Me Chamam Curto Circuito - 1999



Bebeco Garcia foi provavelmente o maior guitarrista de blues e rock do rio grande do sul e quiçá do Brasil. Ele reunia em sua pessoa a empáfia de “rock star”  com o carisma de Blueseiro feroz e,  tinha técnica guitarrística e vocal para sustentar o status. A exemplo de feras como Celso Blues Boy e André Christovam, desenvolveu um estilo próprio, que funcionava bem ao vivo e nos diversos álbuns que deixou: “ Aleluia, aleluia” (1997), “Me chamam curto Circuíto” (1999), “Confidencial” (2003), “Rio grande, rio blues” (2005) e o espetacular registro ao vivo, da série Palco, gravado na Casa de Cultura Mário Quintana, no Teatro Bruno Kieffer, em 25 de julho de 2000, e lançado em 2005, onde aplicou de forma genial a sua técnica vigorosa de guitarra e lap steel.  Esse último um instrumento para se tocar sentado e sobre as pernas, ao qual Garcia tocava de forma peculiar, pendurado no pescoço como fosse uma guitarra comum. Sou admirador de Bebeco Garcia desde que o vi tocar pela primeira vez quando juntamente com seu grupo “Garotos da Rua”, eram a banda da casa do bar “Rocket 88” na Joaquim Nabuco, em Porto Alegre. Depois teve aquela participação magnífica no solo da musica “Nós que ficamos sós”, no álbum de Carlinhos Hartlieb “Risco no Céu” (1983).  Bebeco deixou algumas apresentações gravadas para a TVE  de sua fase solo e fez shows memoráveis em diversos lugares da capital e interior. Um dos melhores foi um coletivo com outros artistas na primeira inauguração do Araújo Viana depois da reforma no final dos anos noventa, em que deixou o público e alguns colegas de boca aberta, com sua pegada infalível no lap steel  e sua presença rockeira selvagem de palco. Convém registrar que ao longo de sua carreira solo, Bebeco Garcia contou com aliados, que o ajudaram a dar forma e moldar o seu talento nato, como – Egisto dal Santo, Fabio Lee, Edinho Galhardi e seu filho, Pedro Garcia que tocam de forma exemplar com o mestre em “Me chamam....”). José Francisco Mello Garcia nasceu na cidade de Rio Grande em 11 de outubro de 1953 e deixou esse planeta prematuramente no dia 19 de maio de 2010, não sem antes, espalhar muitas faíscas e derrubar disjuntores por onde andava e tocava.

quarta-feira, 27 de junho de 2018

Sanguinho Novo - 1989 + As várias vidas de Arnaldo Baptista



Poucos artistas brasileiros tiveram tantas mortes e renascimentos artísticos quanto Arnaldo Baptista. Em 1973, depois dos Mutantes não conseguirem que a gravadora lançasse o álbum “O a e o Z”, Arnaldo que vinha usando LSD, se mandou do grupo e se isolou na serra da Cantareira no interior de São Paulo, completamente alucinado, com o intuito de construir uma nave espacial, tendo sido esta a sua primeira morte artística, desapareceu por um bom tempo. Renasce e retorna a atividade artística tentando seguir carreira de produtor musical, mas o insucesso o motiva a tentar carreira solo. Então, Lança ”Lóki?” (1974), considerado seu melhor trabalho, mas, acaba por morrer novamente e somente volta a renascer em 1977, quando forma um dos grandes grupos do rock do Brasil, “Patrulha do Espaço”, projeto que não duraria muito e, em 1978 deixa o grupo e volta a morrer.  Volta à vida em 1982 quando lança“Singin' Alone”, um trabalho voltado para o rock progressivo, gravado em uma espécie de limbo artístico, em 1981. Nesse ano morre mais uma vez e é internado com forte depressão no Hospital do servidor Público de São Paulo, onde tenta o suicídio jogando-se pela janela, sofrendo traumatismo craniano. Sobre essa internação Arnaldo disse algum tempo depois: "depois que me internaram da primeira vez, qualquer motivo era razão para me internar novamente". Recuperado do “acidente”, Arnaldo Baptista renasce mais uma vez e grava em apenas dois canais, para o selo “Baratos afins” o álbum “Disco Voador” (1987). Uma gravação caseira, que não acontece. Arnaldo faz alguns shows e morre. Para levantar recursos, estimular e manter viva a arte de Arnaldo Batista, Carlos Eduardo “Gordo” Miranda e outros produtores produziram o álbum tributo "Sanguinho Novo - Arnaldo Baptista Revisitado" (1989), com bandas como Sepultura, Ratos de Porão, Paulo Miklos, Felinni, entre outros nomes. A elaboração do disco levou quase dois anos e conseguiu reunir 13 bandas. Cada uma apresenta sua forma pessoal  de ver o trabalho de Arnaldo. Algumas gravações extremamente felizes como “Dia 36” com o grupo “3 Hombres” que cometeu uma das melhores versões do tributo. A banda "Maria Angélica" também se deu bem com a linda “Te amo podes crer”. Outras participações foram  sofríveis como a dos “Ratos de Porão” e “Sepultura”, que em total dissintonia com a sutileza das composições de Arnaldo, cometeram verdadeiros escárnios musicais. O “DeFalla” também cometeria um destes ‘escárnios’, mas sua versão ultra erotizada para “Vou me afundar na lingerie” nem chegou a entrar no projeto final. As demais participações ajudam a salvar o trabalho, mas não o suficiente para trazer Arnaldo à vida novamente, apesar de traze-lo aos palcos em algumas apresentações do projeto. A volta de nosso herói somente ocorreria em 2004, quando John Ulhoa do “Pato Fu” gravou no sítio de Arnaldo, no interior de Juiz de Fora (MG), o álbum “Let it Bed”, que foi lançado como encarte da revista, “Outra Coisa”, editada por Lobão. O trabalho ganhou o prêmio Claro de Musica Independente de 2005 e foi considerado pela revista inglesa Mojo, como um dos 10 melhores daquele ano e finalmente Arnaldo Dias Batista veio ao mundo novamente. Excursiona, volta a tocar com os Mutantes em uma versão mais moderna, o álbum “O A e o Z” deles é relançado, deixa novamente o grupo por discordar da direção artística e comercial dada pelo irmão Sergio Dias. Volta a fazer shows, pinta telas e faz diversas exposições. Dá entrevista e segue trabalhando, com uma intensa agenda em 2018, como a apresentação de maio, "Sarau o Benedito?", na qual acompanhado de um piano, de suas obras como artistas plástico como cenário Arnaldo mostrou os clássicos "Cê Tá Pensando que Eu Sou Loki?", "Não Estou nem Aí", "Jesus Come Back to earth” e “Balada do Louco”, com estrondoso sucesso, na Caixa Cultural, em São Paulo.
Viva Arnaldo Baptista e suas muitas vidas!



segunda-feira, 25 de junho de 2018

Sergio Sampaio - Cruel



Quando o capixaba de Cachoeiro do Itapemirim, Sergio Sampaio,  ficou conhecido nacionalmente após ter uma de suas músicas classificadas no II Festival Internacional da Canção – FIC  em 1972, ele tornou-se tão conhecido como qualquer um desses astros imediatistas de hoje em dia. Todas as casas tinham um compacto do festival com a canção “Eu quero é botar meu bloco na rua”, as crianças cantavam nas escolas e até nas festas paroquiais ela soava nos alto falantes, tornando-se assim a marchinha de carnaval mais tocada nos clubes e rádios durante algum tempo. Depois disso vieram outros discos, mas, nenhum repetiu o sucesso da canção emblemática e o astro caiu no esquecimento geral, sendo lembrado apenas por uma legião de seguidores, que cantavam suas canções e compravam seus discos. Sampaio havia caído numa região em que muitos artistas nacionais caíram, uma área de sombra que engoliu grandes talentos, colocando-os fora dos holofotes da mídia e conseqüentemente relegando-os aos quartos solitários dos audiófilos mais antenados. Foi assim com Walter Franco, Jards Macalé e Sergio  Dias Baptista. Cada um  com a parcela que cabia nessa punição, alguns sobrevivendo e outros sucumbindo. Até sua morte em  15 de maio de 1994, Sergio Sampaio esteve fadado ao esquecimento total, ao apagão e ao ostracismo a que são jogados os gênios incompreendidos.  De lá para cá algumas coisas mudaram, existem festivais que saúdam sua memória em vários pontos do país, como o Festival Sérgio Sampaio  que chegou a 12ª edição esse ano (2018),  movimentando a cena cultural do Centro de Vitória durante três dias, com shows, bate-papos e mostras diversas de sua arte. Erasmo Carlos, Zeca Baleiro e muitos outros artistas de renome finalmente começaram a gravar suas canções e seu nome voltou a crescer, de forma modesta, mas, caminhando para recolocá-lo no posto que merece no cenário histórico da musica popular brasileira.
Foi nesse caminho que o cantor e compositor Zeca Baleiro  retomou um projeto de 1993 do próprio Sampaio que, antes de sua morte estava ensaiando uma volta ao cenário, compondo e organizando um novo repertório, que seria lançado em forma de álbum pelo selo Paulista “Baratos Afins”. Projeto que ficou inacabado por conta de sua morte, no ano seguinte.  Quando Baleiro conheceu a ex-mulher de Sampaio, Ângela, e ganhou dela uma fita contendo músicas inéditas, ele começou a buscar por outras gravações inéditas e faz a recuperação dos respectivos áudios, material que foi então, lançado no CD “Cruel”, em 2006, que traz violão e voz original com Sérgio Sampaio, e arranjos de acompanhamento em pós produção trazendo diversos músicos que tinham afinidades com a música de Sergio Sampaio, como Itacyr Bocato Jr. O Bocato, trombonista e arranjador. O trabalho traz 14 canções que mostram o brilhantismo do compositor e sua bela voz, interpretando de forma maravilhosa e emocionante as suas novas pérolas.
Aos interessados, segue a discografia oficial de Sergio Sampaio em álbuns, existem compactos com duas canções que antecedem esses trabalhos.
Sociedade da Gran Ordem Cavernista Apresenta Sessão das Dez (com Raul Seixas, Miriam Batucada e Edy Star) – 1971
Eu quero é botar o meu bloco na rua – 1973
Tem que acontecer – 1976
Sinceramente – 1982
Cruel (póstumo) - 2006

quinta-feira, 14 de junho de 2018

K 1012


Conheci o Marco Porto por volta de 1981, quando voltava a pé seguindo  a calçada de chão batido, um trilho ainda, da Av. Nestor de Moura Jardim. Alguém chamou-me e um vulto me alcançou correndo e perguntou:
_Tu és o Chico, né? E então engatamos uma conversa sobre musica popular brasileira. No meio do caminho, Porto me convidou para um churrasco  para o qual estava se dirigindo, não foi uma grande festa e, sequer chegamos na hora mas, dali em diante nos tornamos muito amigos, deses que não desgrudam e que vão a todos os lugares juntos. Foram muitas cervejadas, carnavais e vagabundagens diversas.
O Porto, como o chamávamos foi um cara sensacional, piadista, sorridente, mexia com todo mundo e onde estava sempre era o centro das atenções, suas gargalhadas eram muito engraçadas. Também se deprimia as vezes, um dia o encontramos aos prantos, sem saber explicar por que chorava. Ficamos com ele a madrugada toda mas, nunca descobrimos o motivo do choro e também nunca mais tocamos no assunto. Sempre que estávamos juntos, as pessoas diziam que éramos muito parecidos fisicamente, apesar de que o Marco era mais moreno e o cabelo era bastante crespo mas, a cor dos nossos olhos eram bastante iguais e, sempre usamos isso em nossas galanteadas. O Marco tinha uma queda para bebida, algumas drogas e cigarro, tendo fumadomuito até os últimos dias de vida. 
Depois que casei em 1987, o Marco se afastou e passei alguns anos sem vê-lo mas, sempre que eu tinha oportunidade o procurava. Foi assim que levei o meu filho já grandinho para conhece-lo e, durante o passar dos anos o visitava em algum lugar, sempre parecia a mesma coisa, nunca mudava. Recentemente após um hiato de cerca de vinte anos, o procurei em sua casa, ainda estava bem, tomamos cerveja e conversamos muito, como sempre sobre música e política em geral. Marco me presenteou com um cd de João Bosco, o "Caça a Raposa" de 1975, em retribuição a uma foto dele com outros amigos que le levei de presente. A foto havia sido postada em uma página de rede social que ele não acessava, ele ficou muito contente. Outro dia, algumas semanas antes de sua morte o encontrei bem diferente, acamado, sem ãnimo e bastante entristecido, a ponto de não desejar que eu ficasse para conversar. Perguntei a ele se gostaria que eu fosse embora? Ele não respondeu mas, eu senti que ele queria ficar sozinho. Nesse dia, mesmo desanimado conversamos sobre filmes e, mais uma vez Marco me presenteou, com o dvd do filme "Inferno no Pacífico", de John Boorman. Recentemente recebi a otícia de sua morte, tardiamente, não fui a seu enterro mas, ontem fui até seu túmulo para fazer uma oração e me despedir. 
Descanse em paz, caro amigo.