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Generalidades com Especificidade

Generalidades com Especificidade

sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Return to Forever - Chick Corea (piano e teclados), Stanley Clark (baixo), Al Di Meola (guitarras) e Lenny White (bateria)

 Where have I known you before, ( 1974 Polydor)

No Mistery (1975 Polydor)

Romantic Warrior (1976 Columbia)

Em 1974 com a saída de Bill Connors guitarrista do Return to Forever, o pianista e tecladista Chick Corea recruta o virtuose guitarrista Al Di Meola, que trazia uma carga grande de música flamenca visto a influência crescente de Paco de Lucia em seu trabalho. O grupo que já contava como Stanley Clark, baixista que acompanhou praticamente toda a carreira da banda e o baterista Lenny White, partiram para uma fase fantástica em suas carreiras, agora como quarteto. Gravaram um série de três álbuns consecutivos que colocaram-nos no patamar mais elevado do Jazz Fusion: 1974 - Where have I known you before, 1975 –No Mistery e em 1976 – Romantic Warrior, encerrando o período mais criativo do grupo. Depois retornaram em formação diferente em 1977 acrescentando naipe de metais, mas os tempos já eram bicudos para a boa música. Eu particularmente fico com esses três como exemplares diferenciados e únicos em seus respectivos conteúdos, de um período de confraternização entre amigos em torno da criação de uma música de um outro nível, (sem desmerecer qualquer outra) e da alegria de compartilhar bons momentos.

sábado, 22 de agosto de 2015

Ten Years After - Recorded Live ( Crysalis1973)



O que Alvin Lee e seus bandmates fazem com as canções nesse álbum furioso, está localizado próximo ao sobrenatural. A velocidade, entrega e paixão com que se atiram as execuções os colocam em um nível muito além do básico feito naquela época, que era uma período de intensa criação artística em todo o mundo. Músicas já então conhecidas do público como I'm going home, choo choo momma e Slow blues in C# são tocadas com fúria e um quase desespero. As multidões de fans que ocorriam aos shows eram imensas e participantes. Nesse disco pode se ouvir desde o início o clamor pela canção que eletrizou Woodstock, I'm going home, e que quando anunciada coloca o lugar abaixo, e Alvin Lee, Rick Lee, Leo Lyons e Chuck Churchill não decepcionam. Gravado com a famosa unidade móvel dos Rolling Stones em Amsterdam, Rotterdam, Frankfurt e Paris em quatro memoráveis noites (26 a 29 de janeiro) recebeu o tratamento final de estúdio no Olympic Studios em Londres. Chris Kimsey supervisionou as gravações e fez toda a magnífica engenharia de som de estúdio. Os lançamentos em cd's posteriores, por vezes mutilaram a ordem original do álbum e nada acrescentaram de significante ao já existente, com faixas que apenas agregam alguma novidade a fins de comercialização nada mais. O original por si só já é uma obra de arte musical atemporal e clássica.

quarta-feira, 19 de agosto de 2015

Gov’t Mule – The Deep End Vol. I e II (ATO Evangeline 2001 e 2002)




Trata-se de dois álbuns, projetos dos remanescentes da primeira formação do grupo Gov’t  Mule do guitarrista Warren  Haynes. Haynes e Matt Abs. baterista, quando da morte do baixista Allen Wood em agosto de 2000, pensaram em desistir, mas em nome da música e do colega e tendo em vista que já trabalhavam em um novo álbum, resolveram que não tocariam com um novo baixista e sim com muitos outros. Para isso convidaram uma lista de diversos contra baixistas que Allen Woody gostava e tocando e gravando como se fosse ao vivo fizeram o vol. I em 2001 e o vol. II em 2002, no Theater 99 em Nova Yorque, com um estúdio móvel.  Os convidados  foram entre outros; Roger Glover, Jack Bruce, Jack Casady, Flea, Chris Squire, Tony Levin, Billy Cox, Phil Lesh, John Entwistle e Bootsy Collins. O projeto se caracterizaria como um tributo ao amigo, sem a necessidade desgastante de testar e contratar um novo músico. Sobre isso Warren Haynes diria mais tarde: “Achamos que esse processo poderia nos levar ao caminho certo e nos daria algum tempo – não precisávamos nos apressar em decidir quem seria o substituto de Woody, nem mesmo se haveria um permanente.” Todos os músicos convidados aceitaram de primeira, as músicas foram pensadas, compostas ou escolhidas tendo em mente o estilo de cada baixista, pois a ideia era de que cada um tocasse a música que mostrasse a sua própria maneira de se expressar, conferindo originalidade e beleza ao trabalho, bem como uma audição agradável e inesquecível. Detalhe: Todos os baixistas usaram o velho amplificador Ampeg  STV dos anos 70 de Allen Woody para dar um sonoridade homogênea as canções, como se fosse o próprio Woody expressando-se através do estilo dos amigos, e não uma interminável apresentação aleatória de convidados. Warren Haynes em entrevista a uma publicação disse:  “ As músicas tem a nossa cara com outras personalidades misturadas. De vários pontos de vista esse teria sido o disco que teríamos feito se Woody tivesse ficado vivo. Essa foi a missão, gravar um disco do Gov’t Mule e não um desfile de celebridades do contrabaixo.” Posteriormente em maio de 2003  o projeto teve segmento, com um show memorável e a gravação de um álbum duplo e filmagem em Nova Orleans, o The Deepest nd – Live in Concert.


quinta-feira, 30 de julho de 2015

The Who - Live at Leeds - Track Records - Polydor 1970

O The Who nunca foi exatamente uma banda profícua do ponto de vista produtivo, visto que de sua fundação em 1964, passando por suas diversas "ultimas turnés", morte de alguns membros, (Keith Moon em 1978) e ( John Entwistle em 2002) gravaram apenas onze álbuns de estúdio e mais uma dúzia de álbuns ao vivo, entre coisas produzidas por eles mesmos ou por outros produtores e gravadoras. São campeões de coletâneas com cerca de 2o lançamentos ao longo das décadas de sua existência. Foram sem sombra de dúvidas o grupo mais pirateado na era no disco de vinyl, o que os levou a queimar fisicamente muitas de suas gravações ao vivo, temendo a pirataria, que naquela época atingia níveis imensos em todo o mundo sendo comercialmente um desastre para as bandas. As coisas não mudaram muito e somente cresceram, pois hoje cada consumidor é um pirata em potencial.
Depois de lançar Tommy em 1969, o Who começou uma longa turnê para promovê-lo, retornando à Inglaterra no fim do ano com o desejo de lançar um álbum ao vivo tirado daquela turnê. No entanto, o grupo desanimou ante o prospecto de ter de ouvir as centenas de horas de gravações acumuladas e  acabou agendando dois shows, um no Hull City Hall e outro na Universidade de Leeds, com o único propósito de lançar este álbum ao vivo, o que foi feito em 16 de maio de 1970 a partir do show realizado em 14 de fevereiro de 1970 na Universidade de Leeds em Londres. Por estarem em plena forma devido a extensa maratona de shows que vinham realizando, Live At Leeds acabou se tornando uma gravação extraordinária. A capa original do álbum foi projetada para se parecer com a de um disco pirata, e em seu interior trazia alguns fac-símiles de documentos históricos do Who, como o contrato para tocar no Festival de Woodstock, o pôster "Maximum R&B" com Townshend girando seu braço e uma carta da gravadora EMI recusando o grupo, entre outros. O selo do disco era escrito à mão  por Townshend e trazia instruções para que os engenheiros de áudio não corrigissem nenhum ruído. Ao longo dos anos com o evento das gravações em cds muitas outras edições foram lançadas, com diálogos e faixas adicionais, mas o set list tradicional do lançamento original é o que emociona até hoje.


 Álbum Original 

  1. "Young Man Blues" (Alison) - 4:45
  2. "Substitute" (Townshend) - 2:05
  3. "Summertime Blues" (Capeheart, Cochran) - 3:22
  4. "Shakin' All Over" (Kidd) - 4:15
  5. "My Generation" (Townshend) - 14:27
  6. "Magic Bus" (Townshend - 7:30)

domingo, 5 de julho de 2015

Elocubrações

Na noite insone dos pensamentos aflitivos a calma não vem, os delírios do passado emergem com rigor e o descanso se esvai. O personagem tenta de forma amiúde concentrar a mente no branco da memória, mas são mais fortes os eflúvios da intensa recordação dos registros da vivencia. A calma virá eu sei, mas por enquanto não mostra a sombra de sua presença na escuridão sepulcral da noite fria.

segunda-feira, 9 de março de 2015

The Doors - Morrison Hotel ( 1970 - Elektra)




No final dos anos sessenta, os Doors viviam um período de seca criativa, precisavam por questões financeiras voltar as paradas de sucessos e precisavam aproveitar que as portas das casas de espetáculos estavam se abrindo para eles novamente. A última gravação  "Soft Parade" de 1969 não havia agradado aos fãs nem a imprensa especializada e num esforço conjunto entre a banda, Paul Rothchild (produtor) e Bruce Bothnik (engenheiro de som) colocaram-se em estúdio e gravaram as bases de Morrison Hotel, sem os vocais de Jim Morrison que foram colocados mais tarde para que as canções alcançassem maior qualidade técnica e também para sincronizar as gravações com a agenda “alcoólica” de Morrison. Ainda foram chamados a engrossar as fileiras instrumentais o guitarrista Lonnie Mack que tocou contra baixo em "Roadhouse Blues" e "Maggie M'Gill", John Sebastian tocou harmônica na primeira, aparecendo nos créditos com um tal de G. Puglese. Voltado para as raízes da banda com fortes referências ao Blues, pretendiam eles  reconquistar os admiradores e voltar a excursionar, aproximando Jim Morrison novamente do som de  John Lee Hooker e o afastando um pouco de Rimbaud. Este seria o penúltimo álbum do grupo, que gravaria ainda o fenomenal  "L. A Woman"  lançado em abril de 1971, menos de três meses antes do fatídico 3 de julho em Paris, quando Jim Morrison morreu. A capa do álbum mostra uma fotografia de Henry Diltz, que teve que brigar com o gerente do Hotel em Los Angeles para fazer a foto já que ele  se recusava  a permitir a entrada daqueles "arruaceiros" nas dependências do local, aproveitando um momento de descuido do gerente, Diltz posicionou os garotos e efetuou o clic. O Hotel e a foto entraram para a história, bem o como o álbum que é uma verdadeira obra de arte musical.