Fotografias de Elis Regina, creditadas ao fotógrafo Genaro Joner.
sexta-feira, 2 de agosto de 2013
domingo, 16 de junho de 2013
Ana da Villa Nova
Que saudades,
Ana da Villa Nova!
O beijo mais molhado que já provei,
nas trilhas íngremes da mata nativa.
Ana da Villa Nova, do lábio inferior carnudo e suculento,
deitada na relva onde hoje rua já é...
Não queria dar provas de sua virgindade,
me disse que era a primeira vez.
Calcinha preta de seda, minha
mão deslizava aflita:
Me dá?
Me deu!
Ana da Villa Nova!
O beijo mais molhado que já provei,
nas trilhas íngremes da mata nativa.
Ana da Villa Nova, do lábio inferior carnudo e suculento,
deitada na relva onde hoje rua já é...
Não queria dar provas de sua virgindade,
me disse que era a primeira vez.
Calcinha preta de seda, minha
mão deslizava aflita:
Me dá?
Me deu!
segunda-feira, 22 de abril de 2013
Quiet Riot
Não está fazendo frio nessa noite, mas apesar disso estamos usando roupas pesadas e luvas sem as pontas dos dedos. Eu mais um grupo de mendigos, estilo os "hobos" americanos. Um deles. o mais baixo e franzino, muito fraco mas com muita disposição conversa comigo e me acompanha por uma rua pouco iluminada, passamos por uma praça bem cuidada com palmeiras muito altas e monumentos estranhos. Pegamos pedras e seguimos até a esquina próxima, nossos pés estalando na calçada, onde diversas pessoas muito alinhadas por detrás de enormes janelões de vidro jogam e divertem-se enquanto bebem. O mendigo joga a primeira pedrada estraçalhando a vidraça e corre...eu jogo a segunda acertando em cheio o lustre que despenca fazendo enorme barulho, com os pequenos losangos de cristal voando para todos os lados - Grito a todo pulmão:
_Alienados, jogando bingo enquanto o País afunda!!!!
O mendigo sumiu, apenas a rua deserta agora úmida por um chuva fina que cai, corro com todas a minhas forças, o cansaço me vence muitas quadras dali e caio ao chão extenuado - Desperto com o coração na guela.
sexta-feira, 12 de abril de 2013
Ciclo Final
Finalmente após a passagem dos 36 ciclos necessários para conclusão do processo, tudo havia chegado ao fim. Todos os setores haviam encerrado as atividades,porém não havia qualquer traço de comemoração. Mas também não haviam mágoas nem nódulos a serem removidos. Os animais de quatro patas davam clara mostra de tristeza, assim como nós que os deixávamos. Durante os ciclos, muitas pessoas haviam transitado entre os diversos módulos e tinha muito lixo acumulado, pois a movimentação e os trabalhos foram intensos. Nada havia a reclamar de minha parte, eu partia em paz e com o sentido do dever cumprido. Sendo que as obrigações da instância maior estavam de acordo com o esperado. Uma nova sequencia de ciclo já estava em andamento e eu ansioso por fazer parte dos elos dessa nova corrente.
. Deus me guie.
. Deus me guie.
quarta-feira, 20 de março de 2013
Lascívia na Noite

Acordei cansado, as ninfas sensuais me visitaram essa noite. Eu estive febril desde as primeiras horas da tarde, arrepios me percorreram o corpo até o início da noite quando finalmente fui dormir. Elas chegaram por volta das quatro da manha, conheci pelo sons magníficos que produzem ao atravessarem as paredes. Tentei levantar, cheguei a sentar da beira da cama, tateando com os pés a procura dos chinelos, não deu tempo: Núbia a mais voluptuosa lançou-se sobre mim, minhas roupas voaram longe rasgadas em mil pedaços, devorou-me ansiosa, sugou-me exaurindo minhas forças, cerrava os dentes de prazer, enquanto Aníbia mais silenciosa, sentada sobre a cômoda observava aguardando sua vez. E teve.
Após a sessão que durou em torno de duas horas, foram embora num voo rápido, que deixou u silencio brutal em mim. Cambaleante levantei-me e me dirigi ao banheiro para a higiene matinal, estático na frente do espelho não tinha coragem de levantar a cabeça e me olhar, mas pude ver que a luz da madrugada já entrava pela janela e que não era a luz habitual límpida e agradável, era um luz esverdeada que transmitia uma agitação, não dava calma.
Na rua encontrei as primeiras pessoas que caminhavam apressadas em direção ao pier, queriam pegar a primeira embarcação do dia, passei por elas como o homem invisível, nem me notaram e o bom dia habitual não aconteceu, minha alma ainda não havia sido devolvida. Já era dia , mas fazia noite em meu ser.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013
O Tempo Passa
A medida que avançamos ao longo do caminho da existência, nos deparamos com sensações que nunca tivemos, vivências nunca experimentadas e sentimentos nunca atravessados. O crescimento de um filho, o envelhecimento de irmãos e dos pais, objetos que se desgastam no decorrer do seu uso, nada disso me colocou de frente com o passar dos tempos como uma situação que vivi no ano de 2007.
Por diversas situações da vida, deixei de ir a casa de um grande amigo, mais precisamente no seu quarto durante cerca de 25 anos,. Quando lá estive pela última vez pude perceber o esmero com que seu quarto era cuidado, tanto por ele quanto por sua mãe: A colcha de veludo verde, seus móveis em madeira maciça, uma velha eletrola dessas de móvel, quadros na parede, fotos nos aparadores, discos e livros na estante, roupas no roupeiro, etc. Tudo impecavelmente arrumado e distribuído de forma simétrica, bem pensado, respeitando espaços, tamanhos, cores e tipos. Tudo era muito novo, pois ele e sua família haviam se mudado para essa casa a pouco tempo, e muito das roupas de cama, cortinas e móveis eram novos e brilhantes. Um dia visitando-o, seus pais já haviam partido, fui convidado como nos velhos tempos para escutarmos música em seu quarto, que era o seu pequeno mundo, eis que me assombro ao chegar na porta. Pronto para adentrar no recinto, até então nada havia me ocorrido, não sou saudosista e entrar novamente nesse local nada tinha de espetacular. Mas a sensação que tive, e que não posso explicar pois os sentimentos não se explicam, foi de certa forma admirável: Tudo o que enumerei antes, de seu objetos e que vi da última vez que ali estive, estavam ali. A jaqueta jeans pendurada no mesmo local inclusive. Mas tudo com um detalhe, que não poderia ser diferente após mais de vinte anos: Tudo estava velho, opaco, sem vida e com grandes sinais de uso e desgaste do tempo. A colcha verde de veludo sobre a sua cama, havia perdido aquela maciez do tecido e a cor era apenas um arremedo do que foi um dia. A sua jaqueta jeans pendurada em um gancho próprio para roupas era a mesma, mais agora estava desbotada, em vez do brim azul denin escuro de antes, estava com um aspecto claro, um azul celeste não menos belo que o azul escuro original. O tapete no chão com uma gravura de um felino, antes viva e colorida estava desbotada e puída. Os móveis, os discos, fotos, posters, quadros e demais objetos eram exatamente os mesmo de tantos anos atrás, porém traziam em si a marca indelével do tempo, a certeza de que tudo sucumbe e se dobra a ele. Vistos assim no conjunto, esses objetos que citei eram como duas fotografias: Uma a da lembrança que eu tinha e outra a real, do momento. Nesse djavu que por segundo vivi, pude experimentar de forma única o passar dos anos e abraçando meu velho amigo chorei, pois ele ainda era mesma pessoa de tanto tempo atrás, trazendo é claro as mesmas marcas que eu e todo aqueles objetos em nossa volta traziam, vi que ele compreendeu tudo, sensível que era. Tempo, senhor dos destinos.
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