A minha adolescência se deu em uma época muito precária de informação. Pra se ter uma idéia as coisas mais modernas do que estava acontecendo eu lia no livro didático de lingua portuguesa do então ensino fundamental chamado "Luz da Atualidade" e no álbum de figurinhas "A vida em cores", o resto era a treva absoluta dos programas de televisão.
Então, comecei a gostar de musica, mais do que antes, passei a ouvir e me interessar por algumas coisas que eu via nas fotos do tal livro e no álbum de figurinhas, ao mesmo tempo que conhecia discos na casa de amigos e surgiam algumas coisas na tv, bem específicas.Meus pais, que eram um dôces, logo perceberam e me ofereceram comprar um violão, desde que eu achasse alguém que me desse umas aulas.
Me joguei pelas rua à procura, falei com pessoas que tocavam violão, algumas que tocavam guitarra, pedia que me ensinassem, eles queriam, se propunham, mas, quando eu dizia que queria tocar como aquele negro americano canhoto (essas três palavras podem me matar hoje) eles diziam:
_Ah, mas aí não dá, tem que ter um outro tipo de talento, é outro nível, tem que ter um aparelho especial, etc.
Eu insistia...Mas, tu podes me ajudar a tocar como aquele cara, o inglês, que escreveram no muro, em Londres, que ele é Deus?
O pessoal ria, e diziam que podiam me ensinar umas musicas do Luiz Ayrão, do Odair José ou do Teixeirinha. Isso já era muito, mas, não era o que eu queria.
Certo dia meu pai perguntou se eu já tinha achado o professor, pois queria comprar o violão, eu pensei um pouco e perguntei se podia ser uma bicicleta nova?
Meu pai riu muito pela troca, e me deu uma caloi novinha, fomos buscar na loja.
Até eu gastar a caloi todinha, eu tinha já, esquecido o violão, continuava gostanto mais e mais de som mas, só fazia "air guitar" ouvindo discos.
Tudo isso, aliado a uma certa preguiça, uma dificuldade com métodos e uma certa facilidade pra arranjar namoradas, me afastaram do instrumento por muitos anos.
Depois por influência de amigos, sobretudo o Mauro, voltei a estudar e tocar. Hoje em dia, até arranho uns acordes, dizem que toco bem...não sei, sempre tenho um violão por perto, nunca estou só.
